Borboleta Azul


Fiquei olhando
aquela borboleta azul,
com tons de amarelo
nas pontas das asas...

Ela se parecia muito
com meu olhar.
Não na beleza
mas na sua inquietude,
qual trânsfuga mortalha.

Pousou no chão.
Sentiu da terra
o úmido contato.
Voou de volta
ao mato.
Pousou
no amanhecer da vida.

Pousou depois
numa flor
que não sei bem
qual era.
e fiquei à espera
do seu parar.

Mas o leque das asas
se abriu, de novo,
e voou,
qual renovo, 
no anoitecer 
do desejo.
Pousou,
sem pejo,
na correnteza
impura.

Por fim,
pousou num galho fino,
seco,
como se fosse
um beco
sem saída...
Mas, na ponta,
uma esplêndida
e multicolorida
flor da vida.
Flor da manhã,
do meio dia,
da noite,
da madrugada.
Flor do tudo
e do nada.

Parou!

Parei.
O meu olhar
abriu-se muito mais.
Então, notei
que um vulto
ali estava.
Silente, 
parado,
mas muito definido,
decidido.
Sim.
A me afastar das dores
E do enfado,
Alguém tinha chegado:
VOCÊ...

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